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5.11.10

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Oi, passado, como você vai? Escuta, não mudou muita coisa, eu ainda te amo. Te vejo por aí às vezes e ainda sorrio. Não com a face, mas com a alma. Te ver nunca perdeu o encanto; meu cuidado nunca vai findar. Você não passou, continua aqui, ainda que de longe.

2.11.10

A salvo

Você se vê, então, numa cilada. Quase imperceptível, eu diria. Mas daí vem aquele pesar, aquela sensação de não querer largar, mas desejar tanto ir. Aquele gosto de medo na ponta da língua, medo esse tão fugidio. Vem aquilo que não se sabe ao certo, mas é íntimo demais e profundo demais pra ignorarmos. Foi você quem construiu a cilada, não foi? É você quem pode e deve desarmá-la. As previsões nunca são perfeitas, são apenas reflexos de nós mesmos, essas matérias imprevisíveis com sentimentos previsíveis mas que relutamos em admitir. E se admitir ajuda alguma coisa, admitamos. Mas pegue essa confissão e faça dela uma arma. Nesse caminho há muito perigo e estamos falando de uma cilada realmente perigosa. Use sua arma para arrancar agora a semente que vai ser a raiz do mal. Do desgosto de matar algo antes que nasça, aprenda, é uma lição para a vida toda. Depois de cair em tantas armadilhas, você aprende a reconhecê-las e, por favor, não seja burro: você não consegue descê-la e subir sem se machucar. Há muitos galhos e espilhos e lama tentando te impedir. Então aprenda agora a saltar. Você é leve, não será um problema, basta não olhar para baixo. Bem sabes que lá no fundo há quem precise, mas não de você. Mas você tem isso que alguns chamam de altruísmo. Sim, você se dá ao sacrifício. Então me faça um favor, não olhe para baixo, não dê uma de salvador, ao fim eles se salvam de algum modo, isso não lhe interessa; o que lhe diz respeito é cuidar dessa sua vida infeliz, pois sabes, não há alguém para salvar você. Nunca houve. Os sacrifícios foram todos em vão, embora você relute em admitir isso. Existe algo que não se pode ignorar, meu amor, é que um preço há de ser pago. Você não tem mais reservas, tome cuidado, se você arriscar demais não restará nada para ser salvo.

28.10.10

Perdidos e Achados

Eis que estamos assim meio perdidos, meio soltos, meio enrolados nesses dias que se estendem a nossa volta e não dizem o bastante para nos sentirmos seguros, mas aquece enquanto juntos. Estamos nós dois, enfim, procurando a mesma centelha de vida nesse desfile de manequins todos com os mesmos rostos? Essa beleza inexpressiva contida nessas vidas inanimadas realmente te atrai?

O que procuras atende por amor, mas é solidão que te caça. Eu costumo atender por dor, te chamei de cura outro dia e você atendeu. É isso, então?

24.10.10

É lágrima, mas é amor

Luz que invade e faz brotar a mais preciosa das lágrimas. A gota que leva bem mais que água e sal, leva consigo também os mais belos dias, os mais sinceros sorrisos, o mais intenso olhar, leva o que há de melhor em nós. É lágrima que não precisa de nada mais que o simples existir. Vem e cumpre seu destino, que é puro amor.

23.10.10

Untouchable

You seemed like a breeze
Shining, your face didn't hide anything
You look so pitiful now
You don't cry anymore
And I can't hear your desperate voice
You can't show yourself
I only hope you can still feel
Cause I can't feel you
You became so untouchable
My little breeze is so far.

22.10.10

Deixa chover

Peço que chova agora.

Que essa água lave a pele tão ressecada
Que arraste as impurezas da superfície
Que essas gotas desfaçam sua face, sua máscara
Que deslize a saliva corpo abaixo
Que perfure e invada os poros, que inunde
Que remova as lágrimas, remova os sorrisos
Que deixe limpo
Que deixe suscetível
Que essa chuva penetre ainda mais
Que revolva seus órgãos
Que enoje sua alma
Que ponha pra fora o indesejado
Que expulse o desejado
Que te permita ser menos o que queres
Que te force a ser mais o que precisa
Que te desnude
Que te envolva
Que te faça água divina
Que seja você mortal
E que seja chuva, que chova, que não seque.

16.10.10

Som & Fúria


Ainda é possível ouvir sua presença, sentir sua voz.






Só não é real.