27.3.11
Encare
Apenas encare a realidade: você jamais confiará novamente. Não é pra doer, não mais. Só admita.
O problema sempre foi a alma. Você sempre teimou em deixá-la para trás e seguir o coração. Agora que você está perdida, que fazer para encontrar o caminho? Se é que queres voltar por aquele caminho.
Você fica por aí, esperando que a Lua recolha os pedaços do seu coração e o vento traga de volta sua alma, mas nada acontece. Você fica por aí, engolindo o choro, o ódio e a vontade de gritar. Você tenta acreditar que há conserto...mas não há. Há? Não o conheço.
Espera a chuva para disfarçar as lágrimas, mas é dentro que cai a tempestade. Sufocada, geme.
Não, você não consegue perdoar. Apenas encare e siga em frente.
18.3.11
Parar
- A gente pode parar por aqui?
- Mas aqui? Agora? Por que?
- Por favor, vamos parar aqui, agora.
- Por que?
- Pra não machucar mais. Não iludir mais, não enganar o outro nem a si mesmo, não forçar, não entristecer, não fazer chorar, não devastar o que ainda resta, vamos só parar, sim?
- Isso é covardia.
- Isso é preservação. Eu preciso parar agora, me entenda.
28.2.11
7.2.11
6.2.11
Inexplicações
Desejava acordar e encontrar o céu negro sem estrelas. Que as flores da sacada murchassem. Queria lavar o sonho angustiante com lágrimas de quem sofre por amor. Esperava cortar-se acidentalmente e observar a gota de sangue escorrer pela pele seca. Sonhava tanto, tanto com algo que a movesse daquele estado inerte de quem não espera, não sente, não deseja nada.
Era, antes de tudo, uma alma inocente. Vida amarga, sonhos rasos, coração intacto. Enlouqueceu. Faltava-lhe dor.
19.1.11
Amor camaleão
Eu queria te contar da minha saudade. Há dessas saudades que doem, eu sei, mas não a minha.
Eu queria te contar o que venho sentindo. Há desses sentimentos que doem, eu sei, mas não o meu.
Eu queria te contar do meu amor. Há desses amores finitos, mas não o meu por você.
No princípio havia esse amor sofrido, esse sentimento que doía, essa saudade que sangrava.
Eu queria te contar que esse amor agora é outro: se transformou numa saudade que não dói e o sentimento que eu tenho é orgulho. Meu amor é uma saudade que tem gosto daquele abril em que nossos banhos de chuva eram só nossos e eram mágicos. A lembrança do sorriso radiante que rasgava as nuvens e as camadas da espessa neblina entre nós é o sentimento que vem dessa saudade. Te encontro agora e minha face não irradia aquela felicidade incontrolável traduzida no mais caloroso dos abraços. Tenho agora um sorriso com ares de condescendência e timidez, mas principalmente orgulho. Esse orgulho que é sentir esse amor, que doeu, que sangrou, que sarou e deixou marcas, mas que é o sentimento mais puro dentro de mim. O amor que perdura e agora traz consigo um sorriso que acalenta, me dá a paz que antes vinha apenas do seu abraço. O tempo que passa, cura feridas e ameniza dores foi meu companheiro enquanto estavas distante. Agora esse amor que se tornou algo maior que nós mesmos. O amor que é meu, seu também e, mais ainda, é o amor que se deseja ter.
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