Páginas

2.4.12

There is a song for the blue


Blue, songs are like tatoos
You know I've been to sea before
Crown and anchor me,
Or let me sail away

Blue, there is a song for you
Ink on a pin,
Underneath the skin,
An empty space to fill in

You've got to keep thinking
There's so many sinking
Now you gotta keep thinking
You can make it through these waves
Acid, booze, and ass
Needles, guns, and grass
Lots of laughs, lots of laughs

Everybody's saying that
Hell's the hippest way to go out
I don't think so, but I'll take a look around it, though
Blue, I love you.

Blue, here is a shell for you
Inside you'll hear a sigh
A foggy lullaby
There is your song from me

29.3.12

há de haver

finalidade




ferir a ponto de sangrar. pra doer. pra ver escorrer o sangue. pra chorar. pra desejar que pare. pra ter medo de não estancar. pra machucar em cima. pra sangrar de novo e de novo. e de novo. pra implorar que acabe. pra urrar. sussurrar. chorar. pra, algum tempo depois, cansar. cansada, chorar. até não haver mais lágrimas. pra molhar. pra secar. pra ferir. pra lembrar. você.

8.3.12

é plano

diz-se das viagens para dentro e fora de nós mesmos


Em minhas andanças, eu quase nunca soube se estava fugindo de alguma coisa ou caçando outra. Você talvez esteja fugindo de si mesma, e a si mesma caçando; nesta brincadeira boba passamos todos, os inquietos, a maior parte da vida — e às vezes reparamos que é ela que se vai, está sempre indo, e nós (às vezes) estamos apenas quietos, vazios, parados, ficando. Assim estou eu. E não é sem melancolia que me preparo para ver você sumir na curva do rio — você que não chegou a entrar na minha vida, que não pisou na minha barranca, mas, por um instante, deu um movimento mais alegre à corrente, mais brilho às espumas e mais doçura ao murmúrio das águas. Foi um belo momento, que resultou triste, mas passou.



Trecho de 'A Viajante', de Rubem Braga.

26.2.12

Da espera

Do tempo, as horas
Das horas, os minutos
Dos minutos, os ágeis segundos

Destes, a distração
Dela, a anestesia
Do sábio e da sabedoria,
A cura.

12.2.12

Sem cobertura

O seguro não cobre esse tipo de avaria, senhor. O relatório de avaliação informa que nossa perícia não pôde identificar a extensão e a gravidade das suas lesões. Até onde podemos afirmar, não há um tratamento conhecido que seja eficaz. Mais uma vez, nossa empresa reforça que abrangemos cerca de 98% das doenças conhecidas, trabalhamos com especialistas experientes e reconhecidos, prezando sempre por um de nível de excelência. Esperamos que nosso contrato permaneça vigente por muitos anos, garantindo a saúde do senhor nos mais diversos momentos de necessidade. Infelizmente, não podemos tratá-lo agora, mas esteja certo de que a AS Seguros e Reparos envia os mais sinceros votos de saúde ao seu coração.

5.2.12

Sobre perdas e vagas não preenchidas

Começo a acreditar que certas coisas se vão, doem e então seguimos vivendo, amenizando a falta que fazem. Mas a cada vestígio de lembrança a ferida abre, rasga a pele novamente. Restam vagas, lugares que vez ou outra você acredita poder ser reocupado. Certa hora, porém, você descobre que não é possível repor, completar, suprir o que se foi. A vaga vazia é uma ferida. É a ferida. Mas é também esperança. Pois não consigo não pensar na vida como uma série de vagas, enfileiradas, sendo ocupadas e habitadas por determinado tempo, por determinadas pessoas. E então, mais cedo ou mais tarde, uma vaga é desocupada. Por inúmeros motivos. Uns fazem bem, outros te fazem chorar. O fato é que ficam vagos. Outro fato, certamente, é que existem vagas naturalmente não ocupadas. É a esperança de que falei. A espera por novos inquilinos, nova decoração e estilo de vida. A espera sempre por algo que não precise ir, que fique o tempo necessário para fazer sofrer ao partir. Pois sempre há a hora da partida. Sempre as vagas, idas e vindas.



Me surpreendo por ainda me surpreender com o quanto um coração pode ser dividido. E continuar a bater. A amar. A desejar novos moradores. Talvez as vagas, preenchidas e não preenchidas, sejam essenciais para isso. Já disse alguma vez, me cito agora: sem dor, enlouqueceria.